10 de set. de 2009



Sem saída.

Sem saída, sem destino, profunda, desconhecida e escura. Pouco se enxerga, as luzes são fracas, o clima é fúnebre, o caminho é difícil, as calçadas são irregulares. O galo canta, o cachorro late, a torcida grita, o som da serraria entoa o ritmo da vida do galo que canta, do cachorro que late, da torcida que vibra e grita: Gol do Cruzeiro!

O que se esperar de uma ruazinha sem saída numa pequenina cidade histórica de Minas Gerais? Histórias, lendas, seu povo... Ah, seu povo! Isso sim é que é diversidade! Jovens, velhos, crianças, brancos, negros, mulatos, pardos, tem de tudo, de tudo se encontra lá! Mas a rua é sem saída, para onde ir quando o caminho acaba? O fim da rua termina em uma casa, mas ela só termina se você não ouvir a voz de uma senhorazinha gritando: Ô, meu filho, entra aqui um poucadinho e vem tomar um café! Entrar ou não entrar. O fim é só a entrada para uma nova vida, uma nova história. Brotam-se contos e lendas em sua fala, brotam-se sonhos e esperanças em seus olhos. Do lado de fora da casa, chove.

A chuva que desce desde a casa 25, a última da rua, molha as pedras, e faz deslizar o Monza ano 87 que acelera, acelera, até subir a rua. Do outro lado da esquina, a jovem senhora, conhecida como dona Helô, solta aquela gargalhada com suas amigas de fuxico, de cozinha e de escola. Escola? Sim, a dona Helô toda noite desce a rua rumo à sua escola, ela faz supletivo, e se diverte com suas contas, sua leitura, seus desenhos e seus sonhos.

São poucas casas na rua, poucos carros se aventuram a adentrá-la, e quando entram, logo vêem a alegria de um povo que vive, sonha e vibra. Aos domingos à tarde a rua para. Há cruzeirenses, corintianos, são-paulinos, santistas, palmeirenses, atleticanos. Os cruzeirenses são uma história a parte. Gritam, vibram e soltam fogos. A dona Helô é mais uma dessas cruzeirenses roxas, ela sai à rua é berra: Zêro! No final do jogo, quando perdem, a rua se cala.

No dia seguinte, segunda-feira, a vida segue na Rua Vila Rica com o galo que canta, com o cachorro que late, com o som da serraria que entoa o ritmo da vida do galo que canta, do cachorro que late, da torcida que chora mais uma eliminação. Ráá !

11 de ago. de 2009

Em defesa dos garçons, fumar agora, só lá fora !


Com o jingle “Fumar agora, só La fora”, a campanha da Lei Antifumo ganha sua graça ao deixar a coisa mais irreverente, menos ‘lei’ e mais atitude. O comercial que está sendo divulgado na TV, diariamente e quase a cada 30 minutos, é bem divertidinho e possui um ‘jingle feliz’ que fica na tua cabeça por horas.

Com a lei antifumo fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivos em todo Estado de São Paulo, ou seja, os fumantes [entenda-se palhaços acéfalos] não poderão mais soltar sua fumaça cancerígena na cara de inocentes.

Sabe aquele garçom (por sinal, hoje, dia 11 de agosto, é Dia do Garçom) que trabalha o dia todo em pé carregando pratos e copos, atendendo-te com presteza e simpatia, ele não merece respirar a fumaça putrefata do cigarro alheio, ele merece sim, é a tua gentileza e muitas vezes, a tua gorjeta.

Os garçons são os mais beneficiados dessa nova lei, contudo, eles são os que mais devem fiscalizar e cobrar a real aplicação da mesma. Alguns dias atrás, eu fui num restaurante no litoral paulista, e os fiscais do Estado estavam aconselhando e dando dicas aos donos do restaurante. Num primeiro momento pensei que eles já estavam multando o restaurante, já que havia pessoas fumando na “ala dos fumantes”, mas depois percebi que eles só estavam educando o dono e os garçons. O que eu mais gostei disso foi ver o trabalho do governo do Estado em preparar os bares e os restaurantes para a chegada da nova lei. A partir daí, percebi que essa lei poderia mudar as pessoas, tão como mudou [na primeira semana] a Lei Seca.

Fica a dúvida, será que essa lei será respeitada e cumprida integralmente? Só o tempo dirá !

“Fumar agora, só lá fora”, eu apóio integralmente !

3 de ago. de 2009

"Reproduticidade"


Vou contar como se deu a ideia de criar o
mini-video de quatro minutos sobre Barroco e reprodutibilidade técnica.

Várias pessoas me perguntaram: O que você quis dizer neste vídeo ?

Pois bem, aí vai as explicações:

Inicialmente, o grupo ficou dividido em parte escrita, teatral e audiovisual. A esquete seria apresentada de forma teatralizada e introduziria o vídeo.

As gravações foram feitas no intervalo de 1h. O Douglas Gomides, no caminho para o ônibus vez as tomadas de Ouro Preto, e em Mariana, eu filmei em menos de 40 minutos, já que tudo isso se deu em um domingão, final da Copa das Confederações. [Brasil vs EUA]

Chegando em casa eu sem ideia nenhuma, pensei: E se pegarmos o passado e o presente, podemos fazer algo interessante com isso !

Gomides disse: 'Ideia de doido, ein, véio' ?!

Mas enfim, foi o que tentei fazer. O passado se foi, e como podemos alcança-lo novamente... retrocedendo.

As construções originais barrocas mostradas pela visão das pessoas que vivem nesse ambiente é a melhor forma de reproduzir a cena original. Foi isso que tentamos propor.

Então, na primeira parte do vídeo, com as cenas sendo retrocedidas, tentei mostrar subjetivamente uma atemporalidade que não existe.

Na segunda parte do vídeo, a trilha sonora é composta por um remix do Vivaldi, as cenas aceleradas possuem uma coloração saturada e uma mostram o presentes enlouquecedor compartilhando o mesmo espaço com as reproduções de construções de séculos atrás.

O relógio é a melhor figura de representação do tempo, e foi ele o responsável pela transição entre o passado e o presente.




http://www.youtube.com/watch?v=ExWgH6XcAts

16 de mai. de 2009

O novo sempre na do velho.



Assim como eu, conheço muitas pessoas aficionadpela série norte-americana "Lost", a dinâmica apresentada pela série cativa e sucinta um desejo de "quero mais". A série Lost, hoje, na quinta temporada, conquistou fãs por todo o mundo e angariou prêmios importantes, como o Emmy Awards.
Voltemos um pouquinho no tempo...
Na década de 80, um sucesso inovador tomou os lares dos jovens americanos, a série animada
Dungeons & Dragons (Caverna do Dragão), que contava a história de unsjovenzinhos que estavam em uma montanha russa e de repente eram transportados para um "outro mundo". Lá, eles viviam com armas mágicas do "Mestre dos Magos", um mago que sumia e aparecia do nada. A missão deles era proteger o reino das mãos do maléfico "Vingador", um mago que tinha como objetivo conquistar todo o Reino, e destruir o Mestre do Magos.


Analisemos as coincidências dessas séries ditas inovadoras:

Coincidência 1: Em
Lost, os personagens, tripulantes de um avião caem em pleno Oceano Pacífico e dê lá são "transportados" para uma ilha misteriosa que ninguém sabe sua real posição. No seriado Caverno do Dragão, os personagens, mudam de mundo através de uma montanha russa.

Coincidência 2: A fumaça de
Lost, ou o monstro da fumaça, aparece e desaparece do nada sempre causando algum alarde. Na Caverna do Dragão, o mestre dos magos aparece e desaparece do nada, sempre trazendo notícias e mensagens, que, invariavelmente, se mostram indecifráveis.

Logo, percebemos que as inovações nada mais são do que adaptações do velho em um mundo novo.